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De três para 169 famílias: Dilcionir Serraglio destaca evolução da cafeicultura indígena em Rondônia

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Técnico da Secretaria Municipal de Agricultura de Alta Floresta d’Oeste acompanha o Projeto Tribos desde 2018 e destaca a importância da assistência técnica, da preservação ambiental e da valorização dos cafés especiais.

O crescimento da cafeicultura indígena em Rondônia, que começou com três famílias produtoras e atualmente reúne 169 famílias no Projeto Tribos, foi destacado pelo técnico Dilcionir Serraglio, da Secretaria Municipal de Agricultura de Alta Floresta d’Oeste, durante entrevista ao apresentador Adalto Costa, do RuralCast.

A entrevista foi gravada nesta quarta-feira (14), em Cacoal, durante a 8ª edição do Concurso Tribos, promovido pela Rituais Cafés Especiais, do Grupo 3corações.

Dilcionir acompanha a iniciativa desde 2018, quando começaram os trabalhos de melhoria da qualidade do café na Terra Indígena Rio Branco, envolvendo inicialmente produtores dos povos Tupari e Aruá.

De três famílias a um projeto que alcança 169 produtores

Segundo o técnico, o trabalho começou com três famílias que receberam acompanhamento para aprimorar a produção e alcançar padrões superiores de qualidade.

Os resultados contribuíram para despertar o interesse do Grupo 3corações, dando início a uma parceria que se desenvolveu ao longo dos anos.

“Foi assim que começou, com três famílias. Hoje nós temos 169 famílias”, destacou Dilcionir.

Ele explicou que o crescimento ocorreu com a participação das comunidades e o fortalecimento das ações de assistência técnica.

Atualmente, o projeto contempla produtores das Terras Indígenas Rio Branco e Sete de Setembro. Na Terra Indígena Rio Branco, especificamente, são 19 famílias cadastradas, com perspectiva de ampliação.

Assistência técnica enfrenta desafios de acesso às aldeias

Um dos principais desafios apresentados por Dilcionir é a dificuldade de acesso às comunidades indígenas.

Na Terra Indígena Rio Branco, existem aldeias localizadas ao longo de estradas e outras acessíveis por transporte fluvial, exigindo deslocamentos para garantir o atendimento aos cafeicultores.

O trabalho envolve orientações sobre manejo das lavouras, colheita, beneficiamento e produção de cafés especiais.

“Nós temos aldeias muito distantes, remotas, e a gente chega até esse produtor para atendê-lo também e proporcionar essa oportunidade de produzir cafés especiais”, explicou.

Qualidade e sustentabilidade acima da produtividade

Durante a entrevista, Dilcionir destacou que a produção indígena possui características diferentes da cafeicultura convencional.

Segundo ele, enquanto muitas propriedades rurais priorizam altos índices de produtividade, nas comunidades indígenas o trabalho busca conciliar qualidade, preservação ambiental e valorização comercial.

“A produtividade não pode ser um parâmetro para o produtor indígena. São duas realidades distintas”, afirmou.

O técnico explicou que a conservação da floresta contribui para o equilíbrio ambiental das lavouras e destacou a importância de respeitar as características produtivas das comunidades.

“A cultura indígena é uma cultura de sustentabilidade, e não de altas produtividades”, ressaltou.

Para Dilcionir, a produção de cafés especiais representa uma alternativa para que os agricultores indígenas alcancem mercados diferenciados, agregando valor aos grãos sem depender exclusivamente do aumento do volume produzido.

Projeto Tribos fortalece a valorização do Robusta Amazônico

O técnico também destacou a importância da parceria com o Grupo 3corações para o desenvolvimento da cafeicultura indígena.

Segundo ele, a iniciativa contribui para valorizar a cadeia produtiva e ampliar as oportunidades comerciais dos cafés produzidos nas aldeias.

“É um trabalho relevante, que deve ser levado em consideração como um modelo de sustentabilidade”, declarou.

Dilcionir ressaltou que o Projeto Tribos mantém três princípios fundamentais: protagonismo indígena, preservação da floresta e produção de cafés especiais.

Técnico reconhece trabalho coletivo

Ao final da entrevista, Dilcionir agradeceu à equipe da Secretaria Municipal de Agricultura de Alta Floresta d’Oeste e destacou o apoio dos gestores municipais às atividades desenvolvidas junto aos agricultores.

Também reconheceu a importância da comunicação na divulgação dos resultados da cafeicultura rondoniense.

Para o técnico, os avanços registrados ao longo dos oito anos demonstram que a integração entre produtores indígenas, assistência técnica, instituições parceiras e iniciativa privada pode contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

A entrevista integra a cobertura especial do RuralCast, da Rede AMAZUN, durante o 8º Concurso Tribos do Grupo 3corações, realizado em Cacoal, Rondônia.

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